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FundamentoLei 13.777/20183 min de leitura

Multipropriedade é imóvel com matrícula própria, não pacote de férias

Desde a Lei 13.777/2018, quem compra uma semana compra uma fração ideal do imóvel, com matrícula em cartório, calendário definido em convenção e rateio anual a pagar.

Leitura editorial: multibr · setembro de 2026

Multipropriedade é o regime em que um mesmo imóvel tem vários proprietários. Cada um é dono de uma fração ideal que dá direito de uso exclusivo por um período fixo do ano, registrada em cartório. A fração mais comum é uma semana. O denominador depende da convenção, porque a maioria dos empreendimentos reserva semanas para manutenção. O Código Civil, no artigo 1.358-E, fixa o período mínimo de sete dias por fração.

Até dezembro de 2018, a resposta dependia do desenho de cada empreendimento. A Lei 13.777/2018 incluiu a multipropriedade no Código Civil e definiu o regime como direito real. É o que separa multipropriedade de timeshare: no timeshare, o cliente contrata um direito pessoal de uso, com prazo; na multipropriedade, ele compra um pedaço do imóvel, com matrícula, ITBI e transmissão por herança.

A pergunta chega à sala de vendas todos os dias, na mesma ordem. O cliente quer saber se está comprando uma semana, uma cota, um título ou uma diária com desconto. Cada palavra dessas leva a um contrato diferente, e só uma descreve o produto em venda.

A fração só existe quando aparece individualizada na matrícula

A incorporação divide a unidade em frações ideais de tempo. A Lei de Registros Públicos permite abrir uma matrícula para cada fração, a partir da matrícula da unidade. Permite, não garante. O comprador confere na certidão se a fração que ele está comprando aparece individualizada, e exige esse documento antes de assinar. Com a matrícula aberta, ele registra a compra, recolhe ITBI e responde pelo rateio.

America Resort. Um destino de sucesso da multipropriedade, em Águas de Jurema, no Paraná.
America Resort. Um destino de sucesso da multipropriedade, em Águas de Jurema, no Paraná.

Isso muda o que acontece depois da assinatura. O proprietário vende, aluga, dá em garantia e transmite a fração por herança, sem autorização dos demais. A convenção define uso, troca, regras de reserva, penalidades e quem administra a operação. O comprador não recebe uma promessa de uso, recebe um registro.

O calendário é a segunda decisão, e é ela que governa a tabela. No sistema fixo, o proprietário usa sempre a mesma semana do ano. A semana de réveillon não vale o mesmo que a primeira de maio, e a tabela precisa dizer isso. No flutuante, o proprietário marca o uso a cada ano dentro de uma faixa. Isso acelera a venda no lançamento e cobra a conta depois, quando a alta temporada encontra o calendário cheio. O mix entre fixo e flutuante define preço médio, curva de velocidade e o volume de reclamação depois da entrega.

O cliente compra uma fração ideal com data marcada. O incorporador vende o calendário que sustenta essa fração.Leitura editorial: multibr

O que isso muda para quem incorpora

A taxa de manutenção é cobrada de cada fração todo ano, independentemente do uso, e soma condomínio, operação hoteleira e fundo de reposição de ativos. O custo anual do comprador é a parcela mais esse rateio, nunca só a parcela. Nos empreendimentos que acompanhamos, é a objeção que mais reaparece depois da venda. Ela entra na conversa da sala de vendas junto com o preço. Tabela que apresenta só o preço da fração vende rápido e devolve contrato quando a primeira cobrança de rateio chega.

Poehma Lago Negro, em Gramado.
Poehma Lago Negro, em Gramado.

O artigo 1.358-S do Código Civil trata do inadimplemento desse rateio. Quando a convenção prevê o procedimento, o condomínio cobra a dívida e pode adjudicar a fração do inadimplente. É a consequência mais pesada do regime, e pertence à conversa de venda, não ao rodapé do contrato. Quem estrutura o produto decide isso antes de abrir a sala de vendas. Quem administra. Quanto custa por fração ao mês. O que acontece com quem não paga. Como a equipe explica esse conjunto na primeira conversa da sala de vendas. Fração ideal, matrícula, calendário e rateio não são assunto do jurídico. São argumento comercial, e cada um deles aparece na absorção.

A leitura da multibr

Nós colocamos matrícula, calendário e rateio na mesma conversa da sala de vendas: a objeção cai antes do fechamento e a carteira chega inteira à entrega. Quem compra pode cobrar o mesmo antes de assinar: certidão da matrícula da fração, calendário e planilha de rateio do ano.

Perguntas frequentes

O que é multipropriedade na prática?

É o regime em que o mesmo imóvel tem vários proprietários. Cada um é dono de uma fração ideal que dá direito de uso exclusivo por um período fixo do ano, registrada em cartório. A fração mais comum é uma semana.

O que mudou com a Lei 13.777/2018?

Até dezembro de 2018, a resposta dependia do desenho de cada empreendimento. A Lei 13.777/2018 incluiu a multipropriedade no Código Civil e a definiu como direito real: é o que separa a fração com matrícula do contrato de uso.

Multipropriedade ou timeshare: qual é a diferença?

No timeshare, o cliente contrata um direito pessoal de uso, com prazo. Na multipropriedade, ele compra um pedaço do imóvel, com matrícula, ITBI e transmissão por herança.

O que pedir antes de assinar?

Três documentos: a certidão da matrícula da fração, individualizada em cartório; o calendário definido na convenção; e a planilha de rateio do ano. Nenhum deles depende de promessa de vendas.

O que acontece se a taxa de manutenção não for paga?

O artigo 1.358-S do Código Civil trata do inadimplemento do rateio. Quando a convenção prevê o procedimento, o condomínio cobra a dívida e pode adjudicar a fração do inadimplente.

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